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O cobre está no centro das telecomunicações há mais de um século, mas seu futuro parece incerto. Um relatório recente da PwC alertou que a escassez de fornecimento global poderia representar um grande risco para os setores que ainda dependem do cobre, incluindo semicondutores e telecomunicações. Para as operadoras de rede, isso não é apenas um desafio. É também uma chance de desbloquear o valor oculto na infraestrutura envelhecida.

Em uma entrevista recente com o IoT Insider, o CTO do Grupo TXO, John Teasdale, explicou como as operadoras podem transformar a disrupção em oportunidade, adotando os princípios da economia circular e repensando como as redes legadas são gerenciadas.

A pressão sobre as operadoras

"As operadoras estão sob pressão em várias frentes", disse Teasdale. "Por um lado, há uma demanda incessante por mais largura de banda, impulsionada pelas cargas de trabalho de IA, pela implementação do 5G e pela explosão de aplicativos com muitos dados. Por outro lado, as operadoras estão enfrentando margens mais apertadas, custos de energia mais altos e um escrutínio crescente em relação à sustentabilidade."

O cobre como um recurso, não como um resíduo

Para Teasdale, as redes legadas não representam apenas um fardo. "Nossa equipe de especialistas entra em ação para descomissionar e auditar redes inteiras, dando às operadoras uma visão clara do valor real oculto na infraestrutura antiga", explicou. "É uma grande oportunidade de financiar tanto o descomissionamento de ativos obsoletos quanto a implantação de novos ativos."

Ele apontou a BT como um exemplo importante: "A BT está liderando a iniciativa, tendo gerado £105 milhões com a revenda de seus antigos cabos de cobre, 3.300 toneladas até agora de um potencial de 200.000."

Esse potencial não se limita a uma única operadora. "Ao oferecer um mercado de segunda utilização confiável, liberamos o valor preso na infraestrutura antiga, reduzimos o desperdício e oferecemos alternativas econômicas aos novos equipamentos OEM", acrescentou Teasdale. "Isso não apenas apoia as metas ambientais, mas ajuda as operadoras a reduzir os riscos da cadeia de suprimentos e evitar atrasos nas aquisições."

As operadoras preparadas serão as mais beneficiadas

A escassez de cobre pode não ser o fator decisivo nos cronogramas de implantação da fibra, mas a preparação determinará a facilidade com que as operadoras farão a mudança.

"No Reino Unido, vimos um impulso real, com o desligamento do cobre firmemente na agenda e a implantação da fibra avançando em ritmo acelerado", disse Teasdale. "Outras regiões geográficas, como os EUA, estão progredindo mais lentamente - no início de 2024, apenas cerca de 52% das residências e empresas dos EUA terão acesso à banda larga a cabo gigabit, em comparação com 80% no Reino Unido."

"As operadoras mais preparadas estavam tratando a mudança como uma atualização tecnológica e uma chance de adotar a economia circular", acrescentou. "Vemos essa abordagem como um marcador de maturidade - as operadoras que integram a sustentabilidade e o pragmatismo financeiro em suas estratégias de fibra estão muito mais bem posicionadas para fazer a transição com sucesso."

Construindo um futuro circular

A escassez que se aproxima dos suprimentos de cobre não é "um risco abstrato" e exige não apenas maior preparação, mas também o aproveitamento máximo dos equipamentos antigos por meio da revenda, para reduzir a dependência de cobre recém-minerado e adotar uma abordagem de economia circular", enfatizou Teasdale.

"Há uma oportunidade real de tratar essa infraestrutura legada como um recurso, não como um resíduo", concluiu. "Por meio da mineração urbana e da recuperação responsável de ativos, as operadoras podem extrair e reciclar o cobre que já está no solo. Nenhuma medida isolada preencherá totalmente a lacuna destacada pela PwC, mas a extensão do ciclo de vida dos ativos existentes e a adoção de práticas circulares podem reduzir a dependência de cobre recém-extraído, cortar custos e minimizar o impacto ambiental."